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O circo das denúncias tardias e a responsabilidade que não se pode esconder

O circo das denúncias tardias e a responsabilidade que não se pode esconder

Causa estranheza — e não pouca — que as denúncias sobre supostas irregularidades no Hospital Veterinário de João Pessoa só tenham ganhado volume e holofotes exatamente após o rompimento político entre o prefeito Cícero Lucena e o vereador Guga Pet. A coincidência de datas não é mero detalhe: é o ponto central que fragiliza o discurso da oposição e expõe o caráter nitidamente político das acusações.

O secretário de Meio Ambiente, Wellison Silveira, foi direto ao classificar as denúncias como inverídicas e falaciosas. E os fatos sustentam sua fala. O Hospital do PET esteve, até muito recentemente, sob a gestão da Secretaria de Bem-Estar Animal — pasta comandada pelo próprio grupo político do vereador Guga Pet. Se houve falhas, omissões ou problemas operacionais, a responsabilidade recai, de forma inequívoca, sobre quem administrava o equipamento.

É no mínimo contraditório que quem teve a caneta na mão agora tente posar de denunciante, como se fosse um observador externo, alheio à gestão que ajudou a conduzir. Mais grave ainda é usar um tema sensível, como o cuidado com os animais, para montar um palanque político e espalhar alarmismo entre a população.

A tentativa de transferir culpas, criar narrativas de abandono e levantar suspeitas sem comprovação soa menos como zelo pelo bem-estar animal e mais como estratégia de desgaste da gestão municipal. Um “circo”, como bem definiu Silveira, que não contribui em nada para melhorar os serviços públicos, mas apenas para confundir a opinião pública.

A Prefeitura de João Pessoa, ao contrário, demonstra disposição para esclarecer os fatos e reorganizar a gestão do hospital, reforçando seu compromisso com a causa animal. Transparência e responsabilidade não se constroem com denúncias oportunistas, mas com ações concretas e coerência política.

No fim das contas, a pergunta que fica é simples: por que o silêncio enquanto se estava no comando e a gritaria somente após a exoneração? A população merece respostas — e, sobretudo, respeito.

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