Ricardo Barbosa dá ultimato ao grupo e transforma esta quinta-feira no “Dia D” da eleição suplementar de Cabedelo
A política de Cabedelo amanheceu em modo de contagem regressiva e com prazo, hora marcada e promessa de impacto. Em entrevista exclusiva ao Blog Chico Soares, o ex-deputado estadual por vários mandatos, suplente de deputado federal e atual presidente da Companhia Docas em Cabedelo, Ricardo Barbosa, fez o que poucos fazem: colocou o próprio destino eleitoral na mesa, sem rodeios.
Com a cidade vivendo o pós-terremoto político da cassação do prefeito André, Ricardo confirmou que entrou no debate para disputar a Prefeitura de Cabedelo — um desejo antigo, segundo ele — mas revelou que, passados mais de 40 dias, o grupo ainda não formalizou a decisão. E aí veio a frase que muda o roteiro:
“Espero até amanhã, ao meio-dia. Se não houver anúncio e formalização, eu não disputo. Vou tocar meu projeto de deputado federal.”
Ou seja: esta quinta-feira vira o “Dia D”. Se o grupo não bater o martelo até o meio-dia, Ricardo promete se posicionar publicamente — em nota ou entrevista e o conteúdo, nas palavras de bastidores, tem potencial para “abalar” o cenário paraibano.
O sonho original: Brasília
Ricardo foi direto ao falar do objetivo central para 2026: a Câmara Federal. Ele lembrou que, há quase quatro anos, abriu mão de uma reeleição considerada segura para deputado estadual para apostar tudo na eleição para deputado federal e que a derrota veio no detalhe, no final da apuração.
Na entrevista, ele explica o motivo da insistência: acredita que em Brasília teria mais capacidade de entregar resultados, para a Paraíba e para o Brasil, ampliando o raio de atuação política.
Cabedelo entrou no caminho e com peso de missão
A possibilidade de disputar a Prefeitura de Cabedelo surge, segundo Ricardo, como uma junção de circunstância e vocação: com a cassação e a eleição suplementar se desenhando, ele colocou o nome à disposição do grupo para enfrentar o que chamou de “máquina cheia de vícios”.
E foi aí que ele fez questão de apresentar o “cartão de visita” administrativo: a gestão na Companhia Docas.
Com a autoridade de quem comanda um equipamento estratégico, Ricardo declarou — com orgulho e também cautela — que se considera o gestor que mais promoveu desenvolvimento no Porto ao longo dos seus 91 anos de história. E arrematou: quer colocar essa experiência “toda” a serviço de Cabedelo.
O recado é simples e forte: ele se oferece como gestor antes de ser candidato.
O ponto sensível: o silêncio do grupo
Mas se o discurso tem direção, o drama está na base política. Ricardo afirma que comunicou ao grupo seu desejo de disputar a Prefeitura, mas até agora não recebeu o respaldo esperado e isso, por si só, já vira munição política.
Quando um nome com densidade e estrutura coloca prazo público, o subtexto é claro:
ou o grupo assume Ricardo, ou assume o custo de perdê-lo.
E não é uma perda qualquer: se Ricardo sair do jogo municipal, ele entra de vez no jogo estadual/federal e isso muda alianças, palanques, apoios e o comportamento de lideranças em Cabedelo e na Grande João Pessoa.
Meio-dia como linha de corte
O que antes era especulação, agora tem relógio: até 12h.
- Se vier a formalização, Cabedelo ganha um candidato com discurso de gestão e enfrentamento.
- Se não vier, Ricardo promete anunciar o recuo e acelerar a pré-campanha para deputado federal — com uma nota/entrevista que, segundo ele, será definitiva.
Na política, ultimato raramente é só ultimato: é teste de força, termômetro de unidade e aviso para quem acha que o tabuleiro está parado. Em Cabedelo, ele está girando e rápido.
Por: Napoleão Soares



Publicar comentário