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A quem interessa transformar João Pessoa em caos? O pano de fundo político por trás dos ataques à capital paraibana

A quem interessa transformar João Pessoa em caos? O pano de fundo político por trás dos ataques à capital paraibana

Nas últimas semanas, chamou atenção a multiplicação de conteúdos negativos sobre João Pessoa nas redes sociais, em páginas do Instagram, blogs locais e até colunas de alcance nacional. De forma quase simultânea, a capital paraibana passou a ser retratada como uma cidade em colapso administrativo, com críticas que, embora apontem problemas comuns a qualquer grande centro urbano brasileiro, são apresentadas como sinais de um suposto “caos generalizado”.

O que levanta questionamentos não é a crítica em si — legítima em qualquer democracia —, mas o timing, a repetição do discurso e a semelhança do tom adotado por diferentes canais, muitos deles sem histórico anterior de cobertura crítica contínua da cidade.

Nesse cenário, surgem indagações inevitáveis: quem ganha politicamente com o enfraquecimento da imagem da capital? E quais grupos se beneficiam de um desgaste sistemático da atual gestão municipal?

Disputa de poder e histórico político na Paraíba

A política paraibana é marcada por disputas históricas entre grupos tradicionais, especialmente quando se aproximam ciclos eleitorais. Um dos nomes centrais desse tabuleiro é o do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), figura influente no Congresso Nacional, ex-ministro das Cidades e integrante de uma das famílias mais tradicionais da política estadual.

A família Ribeiro — com forte base política em Campina Grande — tem protagonismo histórico em disputas estaduais e municipais, frequentemente em campos opostos a grupos ligados à capital João Pessoa.

Embora não haja comprovação de que os recentes ataques à imagem da cidade estejam diretamente ligados a qualquer liderança política específica, o contexto de disputas e reposicionamentos eleitorais torna o debate público ainda mais sensível.

Denúncias e investigações envolvendo Aguinaldo Ribeiro: o que dizem os registros públicos

O nome de Aguinaldo Ribeiro já esteve associado, ao longo dos anos, a diferentes investigações e denúncias, todas amplamente noticiadas por veículos de alcance nacional, sempre com o devido registro de que não houve condenação definitiva.

Denúncia de violência doméstica e patrimonial (2024)

Em abril de 2024, a ex-esposa do deputado, Ana Rachel Targino Queiroz Velloso Ribeiro, ingressou com denúncia no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, em João Pessoa.

Segundo reportagens da imprensa nacional, a denúncia inclui alegações de:

  • violência física, psicológica, moral e patrimonial;
  • suposto esvaziamento de aplicações financeiras;
  • alterações societárias sem consentimento;
  • restrição de acesso à residência do casal.

A defesa da ex-esposa solicitou medida protetiva e pensão provisória.
Em nota oficial, Aguinaldo Ribeiro negou todas as acusações, classificando-as como “inverídicas, fantasiosas e não comprovadas”. O caso segue na esfera judicial, sem decisão definitiva até o momento.

Operação Lava Jato e arquivamentos

O deputado também teve seu nome citado em investigações da Operação Lava Jato, incluindo o inquérito conhecido como “Quadrilhão do PP”. De acordo com registros públicos:

  • houve citações em delações, como a do doleiro Alberto Youssef;
  • parte dos inquéritos foi arquivada pelo STF por falta de provas;
  • não houve condenação criminal.

O próprio parlamentar sempre negou irregularidades, e as decisões judiciais de arquivamento constam nos autos.

Questionamentos sobre uso de verba pública

Outros episódios noticiados ao longo dos anos incluem:

  • investigação no TCU sobre acúmulo irregular de cargos por funcionária vinculada ao seu gabinete;
  • denúncias antigas sobre uso de verba de gabinete para contratação de serviços de comunicação favoráveis, também sem condenação judicial.

Em todos os casos, a defesa do deputado apresentou explicações e afirmou ter tomado providências administrativas quando necessário.

Crítica política ou estratégia de desgaste?

O jornalismo tem o dever de fiscalizar o poder público, mas também de contextualizar interesses e evitar narrativas artificiais. Quando críticas surgem de forma coordenada, sem aprofundamento técnico e focadas em criar sensação de colapso, o debate deixa de ser informativo e passa a ser político.

João Pessoa enfrenta desafios como qualquer capital brasileira. Mas reduzir a cidade a um retrato de caos permanente, sem dados comparativos, sem ouvir a gestão e sem reconhecer avanços, serve mais à disputa de poder do que ao interesse público.

Transparência, cautela e direito à informação

Este texto se baseia exclusivamente em informações publicadas por veículos de imprensa, registros judiciais e notas oficiais, respeitando o princípio constitucional da presunção de inocência.

O objetivo não é acusar, mas informar o leitor sobre o contexto político que envolve a construção de narrativas negativas e levantar questionamentos legítimos sobre quem se beneficia do desgaste da imagem da capital paraibana.

Em tempos de guerra de versões, o jornalismo responsável precisa ir além do ataque fácil — e ajudar o cidadão a entender o que está por trás do barulho.

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