BOMBA EM CALDAS BRANDÃO: Exoneração de diretora aprovada em seleção escancara perseguição política do Governo do Estado em Caldas Brandão
A publicação no Diário Oficial do Estado desta semana trouxe à tona um episódio grave e perturbador que envolve a educação pública, a autonomia administrativa e, sobretudo, o respeito aos princípios constitucionais. A diretora da Escola Estadual Manoel Avelino de Paiva, localizada no distrito do Cajá, em Caldas Brandão, Jocelma Cabral, foi exonerada do cargo mesmo tendo sido aprovada em primeiro lugar em processo seletivo público para a função.
O fato, por si só, já causa estranheza. Mas o contexto político que envolve a exoneração torna a situação ainda mais alarmante.
Jocelma Cabral é reconhecida na comunidade escolar por sua atuação técnica e pelo mérito comprovado no processo seletivo. No entanto, também é aliada política do prefeito de Caldas Brandão, Fábio Rolim, que recentemente fez críticas públicas ao Governo do Estado durante participação em um podcast. Coincidência ou não, após essas declarações. Pesa também o fato de o pedido de nomeação da gestora ter sido intervido politicamente pelo deputado estadual Felipe Leitão, hoje na oposição ao governo João Azevêdo.
O desfecho veio agora, com a exoneração formalizada no Diário Oficial.
O episódio levanta um questionamento grave: até que ponto critérios técnicos estão sendo respeitados quando interesses políticos entram em cena? A Constituição Federal é clara ao estabelecer os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade na administração pública. Quando uma gestora aprovada em seleção é afastada em meio a disputas políticas, esses princípios ficam seriamente comprometidos.
A escola pública não pode ser tratada como moeda de troca, nem a gestão educacional pode ser usada como instrumento de retaliação política. A exoneração de uma diretora selecionada por mérito, em um contexto de divergência política, soa como perseguição — e assim está sendo percebida pela comunidade.
Mais do que um ataque individual, o que se vê é um precedente perigoso: o recado de que a competência pode ser descartada quando não há alinhamento político. Quem perde com isso não é apenas a gestora exonerada, mas alunos, professores e toda a população que acredita em uma educação pública justa, técnica e livre de interferências partidárias.
Diante dos fatos, cresce a cobrança por esclarecimentos do Governo do Estado. A educação não pode ser palco de vinganças políticas. O respeito ao mérito e à imparcialidade administrativa não é favor — é obrigação constitucional.




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