Movimento “Esgotei” e ambientalistas dominam audiência sobre Lei do Gabarito em João Pessoa.
A primeira audiência pública para discutir a revisão da Lei do Gabarito, realizada nesta sexta-feira (27) na Estação Cabo Branco, foi marcada pelo forte protagonismo de movimentos civis e grupos ambientalistas. O movimento “Esgotei”, que defende a preservação rigorosa da orla da capital, dominou os debates, apresentando argumentos técnicos contra a verticalização excessiva e o possível sombreamento da faixa de areia. A pressão popular foi tamanha que representantes do setor imobiliário e do Sinduscon-JP evitaram o confronto direto durante os momentos de maior tensão no auditório.
Durante as intervenções, os porta-vozes do “Esgotei” destacaram os riscos ambientais e de infraestrutura que a flexibilização das normas atuais pode causar, como o comprometimento do sistema de esgotamento sanitário e a perda da ventilação natural na cidade. O clima de vitória do movimento foi reforçado pelas vaias direcionadas às falas que sugeriam a modernização da lei para permitir prédios mais altos. Diante da hostilidade de parte do público, representantes da construção civil optaram por uma postura mais reservada, o que foi interpretado por opositores como um recuo estratégico perante a mobilização da sociedade.
A audiência, que é parte fundamental do rito legislativo antes de qualquer alteração no Plano Diretor, evidenciou que a gestão municipal terá dificuldades em avançar com propostas de mudança sem um consenso mínimo com os órgãos de proteção ambiental. O movimento “Esgotei” prometeu intensificar as ações de fiscalização e mobilização nas redes sociais para garantir que o “paredão” de prédios não avance sobre a orla. O relatório da sessão será agora analisado pela comissão técnica responsável, mas o recado das ruas nas galerias da Estação Cabo Branco foi de resistência total a qualquer alteração na altura das edificações.



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