Governo liberará R$ 30 bilhões em crédito para motoristas de aplicativo e taxistas
O governo federal prepara o lançamento de uma nova linha de crédito voltada para motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa pode liberar até R$ 30 bilhões para financiamento de veículos no Brasil. A proposta, que deve ser operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), busca facilitar a compra de carros próprios com juros reduzidos, prazos maiores de pagamento e condições mais acessíveis para a categoria de transporte por plataformas.
A medida surge no momento em que milhares de profissionais enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade da atividade, principalmente devido ao alto custo do aluguel de veículos, combustível, manutenção e taxas do financiamento tradicional. Segundo o governo, o objetivo do programa é aumentar a renda dos trabalhadores, renovar a frota nacional e estimular a economia.
Programa pode oferecer juros abaixo da Selic
A nova linha de crédito deve contar com juros próximos de 12% ao ano, patamar abaixo da taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) usada pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação, que está em 14,5% ao ano.
Além disso, o financiamento estruturado pelo BNDES poderá ter:
Prazo de até 72 meses para pagamento;
Carência de até seis meses para começar a pagar;
Financiamento de veículos de até R$ 150 mil;
Liberação gradual dos recursos pelo Tesouro Nacional.
Na prática, isso representa um custo significativamente menor para o motorista em comparação às taxas de mercado para pessoas físicas, que frequentemente ultrapassam 20% ao ano em contratos automotivos comuns.
Governo quer reduzir dependência de carros alugados
Segundo integrantes do governo, muitos motoristas de aplicativo trabalham grande parte do dia apenas para cobrir os custos das locadoras. O programa pretende reduzir essa dependência e permitir que os profissionais construam patrimônio.
“Muitos alugam carro em locadora e passam metade do dia de trabalho só para pagar a diária do veículo”, declarou o ministro Guilherme Boulos em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, na última terça-feira, 12 de maio.
Atualmente, a locação pode consumir entre 30% e 50% da receita mensal de um motorista, dependendo da região. Em grandes capitais, as diárias podem ultrapassar R$ 150, elevando os custos operacionais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que esses profissionais frequentemente cumprem jornadas superiores às de outros trabalhadores do transporte para manter o sustento.
Quem poderá acessar o crédito subsidiado
Embora o regulamento final esteja em elaboração, o governo informou que o público-alvo inclui:
Motoristas de aplicativos (Uber, 99 e outros);
Taxistas;
Profissionais com documentação e licenças regularizadas;
Trabalhadores ativos em plataformas de transporte de passageiros.
A expectativa é que bancos públicos e instituições financeiras parceiras operem o crédito. Detalhes como tempo mínimo de atuação, renda mínima comprovada, exigência de MEI ou score de crédito necessário ainda serão confirmados nas diretrizes oficiais.
Como solicitar o financiamento para motoristas
A tendência é que o processo siga as regras de outras linhas subsidiadas. O interessado deverá:
Comprovar atuação regular na plataforma ou como taxista;
Apresentar documentação pessoal e financeira atualizada;
Escolher um veículo que se enquadre no teto de R$ 150 mil;
Solicitar o crédito em um banco credenciado ao BNDES;
Aguardar a análise de risco da instituição.
O governo também avalia integrar dados das plataformas de mobilidade, como histórico de corridas e faturamento, para facilitar a comprovação de renda de quem trabalha por conta própria.
Impacto econômico e setor automotivo
Além do auxílio direto aos condutores, o incentivo deve impulsionar o mercado automotivo. O aumento na procura por carros novos e seminovos tende a fortalecer montadoras, concessionárias e o setor de autopeças.
O anúncio oficial com todas as regras de adesão deve ocorrer até o final de maio. Com o aporte previsto, esta pode ser a maior iniciativa de crédito já direcionada aos trabalhadores do setor de mobilidade urbana no país.



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