Baía da Traição: obra parada em território Potiguara reforça cenário de abandono
A paralisação das obras da creche na Aldeia São Francisco, localizada no território indígena Potiguara, em Baía da Traição, voltou a gerar indignação entre moradores e lideranças da comunidade. O sentimento é reflexo de um problema que se arrasta há mais de uma década e simboliza, para muitas famílias, o abandono histórico enfrentado pelas populações indígenas em relação à infraestrutura básica e aos serviços públicos essenciais.
A construção da unidade educacional teve início em 2014, mas desde então atravessou diferentes gestões municipais sem ser concluída. Ao longo dos anos, a obra passou por períodos de paralisação, retomadas pontuais e novas interrupções, enquanto crianças e famílias seguem sem acesso a um espaço adequado para a educação infantil.
Moradores afirmam que a falta da creche afeta diretamente a rotina das famílias da aldeia, principalmente das mães que precisam trabalhar e não possuem um local seguro e estruturado para deixar os filhos. A situação também compromete o desenvolvimento educacional das crianças da comunidade indígena.
O caso ganhou ainda mais repercussão devido às promessas feitas durante campanhas eleitorais. Em 2017, o então prefeito Serginho Lima assumiu a gestão municipal garantindo que concluiria a creche e também asseguraria moradia digna para Dona Maria da Guia, moradora conhecida da comunidade. No entanto, após oito anos de administração, os compromissos não foram concretizados, aumentando a frustração da população local.
Para lideranças indígenas, a obra inacabada representa mais do que um problema administrativo: é um símbolo da falta de prioridade dada às necessidades dos povos originários. A comunidade cobra respostas concretas e a retomada imediata dos trabalhos, além de transparência sobre os recursos destinados ao projeto.
A situação em Baía da Traição não é isolada. Órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), vêm acompanhando diversos casos de creches paralisadas ou inacabadas em municípios paraibanos. O problema evidencia dificuldades na execução de obras públicas e levanta questionamentos sobre a aplicação dos recursos destinados à educação infantil.
Enquanto a estrutura permanece abandonada, moradores da Aldeia São Francisco seguem convivendo com a incerteza e cobrando providências das autoridades responsáveis.
Redação com informações radiojardimplanaltofm



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