Cármen Lúcia diz estar ‘envergonhada’ com crise no STF e pede desculpas ao país
Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal, iniciou o seu voto durante julgamento que envolve o ministro Alexandre de Moraes afirmando estar “envergonhada” com a crise que tomou conta da Corte e pediu desculpas ao povo brasileiro pelo papel do tribunal no episódio.
Em sua primeira manifestação depois de quase oito horas de sessão, ela disse que o tribunal deveria estar preocupado em oferecer tranquilidade ao país, especialmente a poucas semanas das eleições, mas acabou se tornando fonte de desestabilização.
“Me sinto envergonhada, no momento em que o Brasil está a vinte dias da eleição, está preocupado com o STF”, afirmou a ministra. Segundo ela, o Supremo “está causando desestabilização”.
A ministra também acompanhou o voto do presidente do STF, Edson Fachin, que fez a relatoria do caso. Disse que, se foi omissa como integrante do tribunal, deveria ter se esforçado mais para evitar a situação e pediu desculpas a Fachin, aos colegas e à população. “Peço também desculpas ao povo brasileiro que deve ter esperado de mim uma postura diferente”, afirmou.
A ministra criticou ainda o que classificou como uma “espetacularização” dos casos e da própria sessão. Para ela, a exposição dos conflitos internos do Supremo ultrapassou os limites da própria instituição e passou a produzir consequências para o país. “Houve uma espetacularização desses casos, desta sessão, que faz mal ao país. País este que espera de nós uma tranquilidade que não conseguimos dar”, disse.
A manifestação ocorre no momento em que o STF discute a Petição 16. 662, que reúne elementos produzidos pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e envolve mensagens atribuídas ao empresário sobre contatos com integrantes da Corte. O julgamento colocou o tribunal diante de uma situação excepcional: decidir sobre o eventual prosseguimento de uma investigação que envolve um de seus próprios ministros.
A sessão, porém, foi marcada desde o início por disputas que extrapolaram o mérito do caso. Impedimentos, suspeições e divergências sobre a relatoria assumida por Fachin dominaram parte importante dos debates. Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram um duro confronto, enquanto Flávio Dino e Gilmar Mendes também entraram em embates sobre a condução do processo.
A ministra destacou o momento em que as divergências acontecem: às vésperas das eleições presidenciais. “Essa deveria ser a principal preocupação popular, e não o que acontece no STF”, afirmou a ministra, segundo seu relato durante a sessão. “Houve uma espetacularização desses casos, dessa sessão, que não faz mal apenas ao Supremo e ao Poder Judiciário, mas ao país. O país espera de nós uma tranquilidade que não pudemos dar”, disse.
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