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EFRAIM FILHO E A SOBERBA QUE PRECEDEU A QUEDA: o senador que prometeu derrotar o governo e terminou derrotado nas urnas – Por Márcio Serafim

EFRAIM FILHO E A SOBERBA QUE PRECEDEU A QUEDA: o senador que prometeu derrotar o governo e terminou derrotado nas urnas – Por Márcio Serafim

Na política, a soberba costuma ser uma péssima conselheira. E as urnas, quando chegam, não costumam respeitar discursos de autoconfiança, muito menos promessas de vitórias antecipadas. O senador paraibano Efraim Filho (PL) parece ter experimentado essa realidade nas eleições de 2026.

Durante sua caminhada política, Efraim fez questão de repetir que era um político acostumado a derrotar governos. Relembrava constantemente sua vitória para o Senado, em 2022, e utilizava aquele resultado como argumento para sustentar que também seria capaz de derrotar o grupo político que comandava a Paraíba em 2026.

Mas existe um detalhe nessa narrativa que não pode ser ignorado: a eleição de 2022 não aconteceu exatamente da maneira como o senador costuma apresentar.

Naquele ano, Efraim contou com o apoio decisivo do Republicanos, legenda comandada na Paraíba pelo deputado federal Hugo Motta e que integrava a base política do então governador João Azevêdo. O partido manteve o apoio à reeleição do governador, mas também decidiu apoiar Efraim na disputa pelo Senado. Uma composição política importante, que contribuiu para fortalecer sua candidatura.

Portanto, apresentar aquela vitória como uma demonstração isolada de força contra todo o grupo governista é, no mínimo, uma interpretação incompleta dos acontecimentos. Efraim venceu, sem dúvida, mas também foi beneficiado por uma articulação política construída dentro do próprio campo governista.

2026: a realidade das urnas foi diferente do discurso

Quatro anos depois, o senador resolveu transformar aquela vitória em uma espécie de credencial para disputar o Governo da Paraíba. Subiu nos palanques, elevou o tom dos discursos e repetiu que estava preparado para derrotar novamente o grupo político que administrava o Estado.

O problema é que, desta vez, a resposta veio diretamente das urnas.

Lucas Ribeiro (PP) foi eleito governador da Paraíba com expressivos 1.470.252 votos, correspondentes a 64,30% dos votos válidos. Efraim Filho, por sua vez, terminou a disputa em segundo lugar, com 552.836 votos, apenas 24,18%.

A diferença foi de 917.416 votos. Um resultado que representou uma derrota eleitoral contundente para o projeto político liderado pelo senador.

O discurso de quem prometia derrotar o governo acabou confrontado por uma vitória expressiva do adversário. E não há discurso político capaz de mudar o resultado registrado nas urnas.

A derrota não ficou restrita à disputa pelo Governo

O cenário também trouxe dificuldades para outros integrantes do projeto político de Efraim.

Marcelo Queiroga, candidato ao Senado pelo PL e aliado do senador, terminou a disputa com 533.723 votos, ficando fora das duas vagas disponíveis. João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo foram eleitos.

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro também não conseguiu alcançar o resultado esperado na Paraíba. É importante registrar que ele avançou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Lula na votação estadual: recebeu 865.210 votos, enquanto o adversário alcançou 1.794.059.

E aqui existe outro dado que merece atenção: durante o segundo turno, Efraim alimentou a expectativa de ampliar a votação de Flávio Bolsonaro e alcançar a marca de um milhão de votos na Paraíba. Entretanto, o resultado ficou abaixo de 900 mil.

A promessa não se concretizou.

O preço político das expectativas exageradas

É evidente que perder uma eleição não significa o fim de uma carreira política. Efraim continua sendo senador da República e possui mandato, espaço partidário e condições de participar dos próximos debates políticos da Paraíba.

Entretanto, seria um erro ignorar o tamanho do revés eleitoral de 2026.

O senador apostou alto, construiu sua pré-candidatura em torno da ideia de que seria capaz de derrotar novamente o grupo governista e transformou a própria confiança em uma das principais marcas de sua campanha. Só que a política exige mais do que discursos fortes: exige capacidade de articulação, leitura do cenário, alianças consistentes e, principalmente, conexão com a vontade do eleitor.

A eleição mostrou que o resultado de 2022 não era uma garantia de repetição em 2026. Também mostrou que o eleitorado não necessariamente acompanha as expectativas construídas nos palanques.

Talvez a maior lição para Efraim Filho seja compreender que a política não é um campeonato pessoal de quem promete derrotar mais adversários. É uma atividade que exige humildade para reconhecer forças, respeitar adversários e compreender os sinais das ruas.

No fim das contas, quem decide não é o discurso do candidato, mas o voto do eleitor.

E em 2026, o político que tanto dizia ser especialista em derrotar governos acabou conhecendo o outro lado da disputa: uma derrota expressiva, que certamente exigirá reflexão e uma revisão de estratégias.

Na política, a soberba pode até render aplausos nos palanques. Mas é nas urnas que as promessas são colocadas à prova.

Márcio Serafim é jornalista e apresenta o programa Boa Tarde Paraíba, na Rádio Valentina FM 87,9.

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