Filmado no Recife, o Agente Secreto faz história e vence dois Globo de Ouro
O longa brasileiro O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho, fez história na 83ª cerimônia do Globo de Ouro e levou dois prêmios para o Brasil: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator de Drama, com Wagner Moura.
O Brasil torceu muito. Em meio a expectativa, muitos brasileiros foram dormir mais tarde do que o normal na noite de domingo. Uma noite considerada histórica. Épica para o cinena nacional. Não tiraram o olho da TV até o esperado anúncio. O sonho parecia coletivo. E a estatueta veio em dose dupla. Aguardada com muita expectativa, a premiação da 83ª edição do Globo de Ouro, um dos principais eventos da temporada do cinema, aconteceu na noite de ontem, em Los Angeles e credenciou ainda mais o Agente Secreto para o Oscar.
O anúncio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. Ao revelar o vencedor, Driver saudou o público brasileiro com um “Parabéns”, dito em português. Na categoria, O Agente Secreto superou produções de cinco países: Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha), A Única Saída (Coreia do Sul), A Voz de Hind Rajab (Tunísia) e Foi Apenas um Acidente (França).
Nessa categoria, o filme brasileiro concorria com “Valor Sentimental”, “Foi Apenas um Acidente”, “A única saída”, “Sirat” e “A Voz de Hind Rajab”.
Foi a primeira vez em 27 anos que o Brasil ganhou nesta categoria, após a vitória de “Central do Brasil”. Apresentadora da categoria, a atriz Minnie Driver fez o anúncio com uma palavra em português. Ela disse “Parabéns”, antes de falar o nome do filme em inglês.
Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho iniciou o discurso saudando o país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Em seguida, agradeceu à distribuidora brasileira Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas.
Esse é um grande momento”, afirmou o diretor.
A vitória coroou um percurso internacional iniciado no Festival de Cannes, onde o filme teve estreia concorrendo à Palma de Ouro. Na ocasião, uma apresentação de frevo tomou a Avenida Croisette e se tornou um dos momentos mais comentados da edição.
Já Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso, falou em português e celebrou a cultura brasileira. “Viva a cultura brasileira”, disse o ator, ao destacar a parceria com Kleber Mendonça Filho, a quem definiu como “um gênio”, e a amizade construída ao longo do projeto.
Além de Wagner Moura, concorriam à categoria Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).
A vitória de O Agente Secreto resgata uma tradição brasileira na premiação: Central do Brasil venceu a mesma categoria em 1999, e, no ano passado, Fernanda Torres conquistou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama.
Entre os demais vencedores do Globo de Ouro, o prêmio de Melhor Direção em Filme ficou com Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra. Já Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia foi conquistado por Timothée Chalamet, por Marty Supreme.
Apesar do desempenho expressivo, o longa brasileiro não levou o prêmio de Melhor Filme de Drama, principal categoria da noite, que ficou com Hamnet. Ainda assim, a chamada “noite do Brasil” consolidou a presença do país entre os destaques da premiação.
O Agente Secreto concorreu em três categorias.
Aclamado pela crítica, o longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, concorreu a nas categorias: Melhor Filme de Drama — outro feito inédito para o Brasil — e Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em filme de Drama, com Wagner Moura.

Filmado em Recife, O Agente Secreto chegou no Globo de Ouro já tendo mais de 50 prêmios nacionais e internacionais no currículo.
O longa-metragem já conquistou 56 troféus em 36 premiações, incluindo Melhor Diretor e Melhor Ator no Festival de Cannes, e chegou a à premiação americana com uma campanha numericamente mais robusta do que a de Ainda Estou Aqui no ano passado.
Em 4 de janeiro de 2025, véspera do Globo de Ouro, o filme de Walter Salles havia vencido 17 prêmios em 12 festivais e premiações, no Brasil e no exterior.
O desempenho quantitativo ajuda a entender uma parte da força da campanha atual. Ainda Estou Aqui ganhou fôlego após a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz – Drama. O filme encerrou a temporada com 70 prêmios em 42 festivais.
Dora Amorim, produtora executiva de O Agente Secreto, ressalta que cada obra percorre um caminho próprio. Segundo ela, o fato de O Agente Secreto ser uma produção nordestina, realizada no Recife por uma produtora de pequeno porte, amplia o simbolismo do momento.
“Esse lugar é muito significativo para os técnicos do audiovisual brasileiro e também para os brasileiros, por causa da representatividade cultural”, disse.
Amorim destaca ainda o impacto simbólico de ver um filme falado em português disputar espaço em premiações tradicionalmente dominadas por Hollywood.
O Agente Secreto estreou mundialmente em maio de 2025, no Festival de Cannes, e chegou ao Globo de Ouro com oito meses de circulação internacional, o que amplia sua presença em festivais, premiações e campanhas de divulgação.
Desde que estreou em Cannes, o filme de Kleber Mendonça Filho vem acumulando reconhecimento de importantes associações de críticos norte-americanos, como o New York Film Critics Circle, a Los Angeles Film Critics Association e o National Board of Review.
Camiseta de bloco de carnaval usada por Wagner Moura em ‘O Agente Secreto’ tem fila de espera com pedidos de todo o Brasil
O sucesso internacional do filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, tem repercussões que vão além das telonas de cinema. Gravado em cenários icônicos do Recife e ambientado em 1977, o longa-metragem que disputou o Globo de Ouro no domingo (11) exalta símbolos da cultura local e movimenta tradições pernambucanas.
Entre os efeitos econômicos provocados pelo filme, está a procura pela camiseta da troça carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos, que aparece em duas cenas da produção. As vendas dispararam e a peça retrô, criada em 1978, tem fila de espera com pedidos de todo o Brasil.
Sobre o que fala “O Agente Secreto”?
Ambientado no Recife de 1977, o título é um thriller político, que acompanha Marcelo, um professor que foge de um passado misterioso e volta ao Recife em busca de paz, mas logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura.
A produção é estrelada por Wagner Moura (“Tropa de Elite”), Maria Fernanda Cândido (“Terra Nostra”), Gabriel Leone (“Dom”), Isabél Zuaa (“O Nó do Diabo”), Alice Carvalho (“Cangaço Novo”) e mais.

Com PB Agora



Publicar comentário