Nomeação no Governo do Estado reacende debate sobre uso político da pauta animal na Paraíba
Conforme antecipado pelo Portal NewsPB, em matéria assinada pelo jornalista Márcio Serafim, o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), nomeou nesta quarta-feira (11) Carlos Ítalo Suassuna de Oliveira para o cargo de secretário executivo da Proteção Animal, função vinculada à Secretaria de Estado da Saúde. A nomeação foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial do Estado.
A indicação, embora formalmente amparada nos trâmites legais da administração pública, rapidamente ganhou contornos políticos e passou a ser amplamente debatida nos bastidores do poder. Carlos Ítalo é filho do vereador de João Pessoa, Guga (PP), parlamentar que recentemente rompeu politicamente com o prefeito Cícero Lucena (MDB) e declarou apoio ao vice-governador Lucas Ribeiro (PP), pré-candidato ao Governo do Estado nas eleições de 2026.
O episódio chama ainda mais atenção pelo histórico recente envolvendo o mesmo nome. Em janeiro deste ano, Carlos Ítalo chegou a ser nomeado secretário da Causa Animal na Prefeitura de João Pessoa, mas permaneceu no cargo por apenas 24 horas. À época, a saída foi atribuída ao reposicionamento político do vereador Guga, que optou por manter fidelidade ao seu partido, o PP, movimento que já indicava um distanciamento do grupo político liderado pelo prefeito Cícero Lucena.
Agora, com a nomeação no âmbito do Governo do Estado, o que se observa é o retorno de Carlos Ítalo a uma função estratégica ligada à pauta animal, justamente após a consolidação do novo alinhamento político de seu pai, que passou a integrar o campo de apoio ao projeto eleitoral de Lucas Ribeiro.
A sucessão dos fatos tem alimentado questionamentos entre analistas políticos, lideranças partidárias e setores da sociedade civil sobre até que ponto decisões administrativas estariam sendo influenciadas por rearranjos políticos, especialmente em áreas sensíveis e de forte apelo social, como a proteção animal.
Sem afirmar qualquer ilegalidade, especialistas ouvidos reservadamente pelo portal destacam que nomeações políticas são prerrogativas do chefe do Executivo, mas alertam que a recorrência de movimentos desse tipo reforça a percepção de que cargos públicos seguem sendo utilizados como instrumentos de articulação e acomodação política, prática historicamente criticada pela população.
Diante do cenário, cresce o debate público sobre os limites entre governabilidade, articulação política e a necessidade de blindar políticas públicas de interesses eleitorais, sobretudo às vésperas de um novo ciclo eleitoral estadual.
O Portal NewsPB ressalta que a nomeação de Carlos Ítalo é um ato legal e publicado oficialmente, mas entende que o contexto político que a envolve é legítimo objeto de questionamento jornalístico, em respeito ao princípio da transparência e ao direito da sociedade de compreender como se dão as decisões no alto escalão do poder público.
Até o momento, nem o Governo do Estado, nem o vereador Guga, nem o próprio Carlos Ítalo se manifestaram oficialmente sobre as interpretações políticas que surgiram após a nomeação. O espaço segue aberto para esclarecimentos, caso os citados queiram se posicionar.
Enquanto isso, a pergunta que ecoa nos bastidores da política paraibana permanece: até quando a máquina pública continuará sendo percebida como espaço de acomodação de interesses políticos, especialmente em temas que deveriam estar acima de disputas eleitorais?



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