Por Rui Galdino: Arrogância e descontrole expõem o desgaste final do governo João Azevêdo
Arrogância, prepotência e um visível desequilíbrio emocional passaram a marcar os últimos movimentos do governo João Azevêdo. O tom agressivo — por vezes ríspido e intolerante — adotado pelo governador contra antigos aliados levantou uma pergunta inevitável nos bastidores: o que explica tamanho descontrole comportamental?
A resposta parece estar ligada à insegurança política diante da decisão de deixar o Palácio da Redenção para disputar uma vaga no Senado, entregando o governo ao vice, Lucas Ribeiro. O problema é que essa escolha foi imposta de cima para baixo, costurada em Brasília com Agnaldo Ribeiro (PP) e Hugo Motta (Republicanos), sem qualquer consulta efetiva ao PSB, à base aliada ou às lideranças que sustentaram o governo até aqui.
O resultado foi previsível. A reação de figuras históricas da própria base — como o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e os deputados estaduais Felipe Leitão e Hervázio Bezerra — escancarou o erro político e a falta de diálogo. Em vez de compreender que dissidências são naturais na vida política, João Azevêdo optou pelo ataque pessoal, revelando uma incapacidade preocupante de conviver com o contraditório.
Cícero Lucena, político experiente, com trajetória consolidada como prefeito, senador e governador, foi deliberadamente ignorado no processo de escolha do sucessor. Um gesto de desrespeito que cobra seu preço. Hoje, Cícero lidera com folga as intenções de voto e se consolida como referência de liderança no campo político e eleitoral — algo que o atual governador parece incapaz de admitir.
Longe de qualquer exercício de humildade, João Azevêdo reage com um revanchismo típico de amadorismo político, atacando verbalmente todos que ousam contrariar seus interesses pessoais. Soma-se a isso a fragilidade do próprio PSB, incapaz de montar chapas competitivas para deputado estadual e federal — um retrato fiel da ineficiência no gerenciamento político do governador.
À medida que se aproxima a data anunciada para sua saída do governo, novas debandadas tendem a ocorrer. Não por traição, como alguns tentam rotular, mas como consequência direta de um projeto conduzido com autoritarismo, desprezo às bases e absoluta falta de escuta.
Analistas da política paraibana são categóricos: o pedestal de João Azevêdo começa a ruir no exato momento em que ele perde a caneta. Seu nervosismo crescente revela o temor de um projeto senatorial frágil, sustentado mais pela imposição do que pelo apoio popular.
Felipe Leitão, Léa Toscano e Hervázio Bezerra já fizeram suas escolhas. Outros seguirão o mesmo caminho, somando forças ao projeto de Cícero Lucena para o governo da Paraíba. Depois que as luzes se apagarem, dificilmente alguém sentirá falta de João Azevêdo — nem mesmo seus poucos e silenciosos súditos.
Fim de cena. João, sem voto.
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Rui Caldino



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