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Prefeita Léa relata conversa com Cássio e Pedro e antecipa “novas surpresas” nos próximos dias

Prefeita Léa relata conversa com Cássio e Pedro e antecipa “novas surpresas” nos próximos dias

A prefeita de Guarabira, Léa Toscano (União Brasil), decidiu parar o relógio da neutralidade e entrar de vez no tabuleiro da sucessão estadual de 2026. Em declarações firmes e com o recado nas entrelinhas — Léa classificou como “difícil” e “delicada” a escolha de apoiar o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), mesmo filiada ao União Brasil, legenda comandada na Paraíba pelo senador Efraim Filho, também pré-candidato ao Governo do Estado.

A fala não é apenas um posicionamento. É um retrato do momento: a oposição, que por um período parecia caminhar com roteiro definido, agora convive com disputa interna, recalibragem de alianças e um jogo de forças que começa a se revelar sem maquiagem.

Segundo Léa, o cenário mudou de forma acelerada. Quando havia “um candidato só”, qualquer movimento era travado. Com o avanço das articulações e a entrada de novas peças, a neutralidade passou a ser interpretada como hesitação e, na política, hesitação costuma virar custo.

“Foi muito complicado para mim e para todos os prefeitos da oposição. Tinha um candidato só. Depois isso mudou. Chegou um momento em que não dava mais para ficar em cima do muro”, afirmou.

Ao justificar a escolha por Cícero, Léa trouxe à mesa um elemento que, na Paraíba, pesa tanto quanto partido: história, vínculo e confiança. Ela ressaltou uma relação pessoal e política de mais de 40 anos com o prefeito de João Pessoa e disse que experiência administrativa e trajetória pública foram determinantes.

“Eu podia até ficar neutra, mas não posso servir a dois projetos. Não tenho capacidade para isso. Tomei uma posição que considero correta”, cravou.

O movimento, no entanto, não foi dado no impulso — nem sem blindagem. Léa fez questão de registrar que comunicou e discutiu previamente o passo com duas figuras centrais do campo oposicionista: o ex-governador Cássio Cunha Lima e o ex-deputado federal Pedro Cunha Lima. Na prática, a mensagem é clara: Guarabira não se moveu sozinha e ninguém se mexe assim, nesse nível, sem medir as consequências.

“Eu jamais tomaria essa decisão sem conversar com Cássio e com Pedro. Conversei com os dois, expliquei minha posição e fui respeitada”, relatou, antes de aumentar a temperatura do noticiário: segundo ela, novos movimentos devem ser anunciados nos próximos dias.

Mesmo ao escolher um lado, Léa evitou a ruptura total. Manteve o tom de respeito com Efraim Filho e reforçou um valor que ela trata como “cláusula pétrea”: palavra empenhada. E deixou uma porta entreaberta para leituras futuras, sobretudo em um eventual segundo turno, quando as composições costumam ser reescritas.

“Eu não abro mão da minha palavra. Política se faz com compromisso”, enfatizou.

No plano municipal, Léa adotou o pragmatismo de quem conhece a engrenagem local: em Guarabira, disse que vereadores e lideranças terão liberdade para cumprir acordos proporcionais, preservando a unidade do grupo onde ela realmente precisa estar forte — no território.

Ao final, a prefeita ainda aproveitou para convidar a população para a tradicional Festa da Luz, reforçando o evento como símbolo cultural da cidade e, como se sabe, também como termômetro político: onde a cultura reúne, a política observa, mede, e se posiciona.

Por: Napoleão Soares 

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