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De parceiros de chapa a caminhos diferentes? Os novos movimentos políticos de Evilásio em Cabedelo

De parceiros de chapa a caminhos diferentes? Os novos movimentos políticos de Evilásio em Cabedelo

Eleitos juntos na eleição suplementar, Edvaldo Neto e Evilásio Cavalcanti passaram a ocupar posições distintas no cenário político após o afastamento judicial do prefeito eleito

Cabedelo volta a viver um capítulo de intensa movimentação política.

Depois de uma eleição suplementar marcada por uma disputa acirrada e pelo afastamento judicial do prefeito eleito poucos dias depois da votação, o município acompanha agora uma nova questão: como ficará a relação política entre Edvaldo Neto e Evilásio Cavalcanti, integrantes da mesma chapa que venceu as urnas?

Edvaldo e Evilásio foram eleitos juntos pelo Avante na eleição suplementar de 12 de abril. A chapa conquistou 16.180 votos, equivalentes a 61,21% dos votos válidos, derrotando Wallber Virgolino, que obteve 38,79%.

A vitória, entretanto, durou pouco tempo antes de uma mudança radical no comando político da cidade.

O prefeito eleito não conseguiu assumir

Dois dias depois da eleição, Edvaldo Neto foi afastado por decisão judicial no âmbito da Operação Cítrico.

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba fez questão de esclarecer que o afastamento não foi determinado pela Justiça Eleitoral, mas no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Federal.

Edvaldo nega as acusações e declarou publicamente sua inocência.

O afastamento produziu uma situação política incomum: o candidato escolhido pela maioria dos eleitores não pôde exercer imediatamente o mandato para o qual havia sido eleito.

Evilásio, que havia sido escolhido pelo próprio grupo para ocupar a vice, acabou assumindo o protagonismo administrativo.

O vice que virou prefeito

Em 25 de maio, Edvaldo Neto e Evilásio Cavalcanti foram diplomados pela Justiça Eleitoral.

Na mesma data, a Câmara Municipal deu posse aos dois. Como Edvaldo permanecia impedido de assumir o Executivo em razão da decisão judicial, Evilásio passou a exercer interinamente a Prefeitura de Cabedelo.

E é justamente a partir daí que começa uma nova fase da política cabedelense.

Até então, Edvaldo e Evilásio eram apresentados ao eleitorado como integrantes de um mesmo projeto.

Agora, Edvaldo continua sendo o prefeito eleito e diplomado, enquanto Evilásio administra a cidade em caráter interino.

Essa circunstância, por si só, já seria suficiente para produzir questionamentos políticos.

O projeto continua o mesmo?

A pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável:

Evilásio continua administrando Cabedelo dentro do mesmo projeto político apresentado nas urnas ao lado de Edvaldo ou o afastamento do prefeito eleito abriu espaço para uma nova configuração de forças?

Não se trata de afirmar que houve rompimento.

Até porque, sem uma declaração formal das partes ou fatos concretos que demonstrem essa ruptura, falar em “traição” como fato seria precipitado.

Mas a política é feita também de gestos, escolhas, nomeações, alianças e aproximações.

E são justamente esses movimentos que passam a merecer atenção.

As novas aproximações e o direito do eleitor de perguntar

Outro ponto que merece acompanhamento é a eventual aproximação da administração interina com pessoas, grupos políticos, veículos de comunicação e empresas que tiveram posições distintas durante a eleição suplementar.

Aqui também é necessário separar aproximação política de eventual favorecimento.

Uma reunião, uma entrevista, uma contratação ou uma relação institucional não prova, por si só, qualquer irregularidade.

Por isso, o questionamento jornalístico deve ser objetivo:

Quais são os critérios adotados pela atual administração para contratar empresas?

Quais veículos de comunicação recebem publicidade institucional?

Quais são os valores, critérios e contratos?

As decisões administrativas seguem critérios técnicos e legais?

Essas são perguntas legítimas em qualquer gestão pública.

E a melhor resposta não está em discursos, mas nos documentos oficiais.

O que aconteceu durante a eleição?

Durante a eleição suplementar, Edvaldo Neto e Evilásio Cavalcanti disputaram o comando da Prefeitura contra Wallber Virgolino e Morgana Macena.

A própria imprensa registrou que as duas chapas representavam projetos políticos distintos para Cabedelo.

Edvaldo venceu com uma diferença de 5.925 votos.

O resultado demonstrou que a maioria dos eleitores que compareceram às urnas escolheu a chapa do Avante.

Por isso, qualquer mudança significativa na composição política do governo interino naturalmente será observada pelos eleitores que participaram daquele processo.

A política não pode apagar a memória das urnas

Uma eleição não é apenas uma disputa de nomes.

É uma escolha de projeto.

Edvaldo Neto e Evilásio Cavalcanti foram apresentados juntos ao eleitorado e receberam conjuntamente os votos que lhes deram a vitória.

Portanto, é legítimo perguntar se as decisões tomadas durante a interinidade de Evilásio permanecem alinhadas às propostas apresentadas pela chapa ou se existe uma mudança de direção.

Essa resposta deve ser dada pelos atos da administração.

Não por especulações.

Edvaldo permanece prefeito eleito

Outro ponto que não pode ser ignorado é a situação jurídica de Edvaldo Neto.

Apesar de afastado do exercício do cargo, ele foi diplomado pela Justiça Eleitoral.

Em decisão de abril, a Justiça Eleitoral manteve sua diplomação e rejeitou pedido de Wallber Virgolino para assumir a Prefeitura em decorrência do afastamento.

Portanto, a situação política não pode ser simplificada como se Edvaldo tivesse simplesmente deixado de existir no cenário municipal.

Ele continua sendo o prefeito eleito pela população de Cabedelo, embora impedido judicialmente de exercer o cargo enquanto persistirem as determinações que resultaram em seu afastamento.

O futuro dessa relação ainda está em aberto

A grande incógnita é saber como terminará essa história.

Edvaldo e Evilásio chegaram juntos às urnas.

Foram eleitos juntos.

Foram diplomados juntos.

Mas, por circunstâncias judiciais, acabaram ocupando posições diferentes na estrutura do poder municipal.

Evilásio administra.

Edvaldo permanece afastado.

E Cabedelo observa.

Se os dois continuarão politicamente alinhados, somente os próximos acontecimentos poderão responder.

Se haverá uma ruptura, também dependerá de fatos concretos.

E se novas alianças serão construídas, caberá à imprensa e à sociedade acompanhar quais serão seus efeitos sobre a administração pública.

Transparência acima das alianças

Mais importante do que saber quem está conversando com quem é saber como a Prefeitura está sendo administrada.

Se existem contratos, que sejam públicos.

Se existem gastos com publicidade, que sejam transparentes.

Se existem nomeações, que sejam justificadas.

Se existem mudanças administrativas, que sejam explicadas.

E se houver qualquer denúncia concreta de favorecimento ou irregularidade, que seja apresentada com documentos e encaminhada aos órgãos competentes.

É assim que se faz jornalismo responsável.

Cabedelo merece respostas, não apenas versões

A política de Cabedelo já passou por sucessivas mudanças no comando do município.

O eleitor que foi às urnas em abril escolheu uma chapa.

Agora, diante de uma realidade política completamente diferente daquela imaginada no dia da eleição, a população tem o direito de acompanhar os acontecimentos e cobrar transparência.

A pergunta que fica não é simplesmente se existe ou não uma “traição”.

A pergunta mais importante é:

Evilásio Cavalcanti está administrando Cabedelo de acordo com o projeto político apresentado ao eleitor ao lado de Edvaldo Neto ou está construindo uma nova rota política para o município?

A resposta deverá aparecer nos atos oficiais, nas decisões administrativas e nas alianças que forem efetivamente formalizadas.

Até lá, qualquer conclusão definitiva seria apenas especulação.

O Portal Newspb continuará acompanhando os acontecimentos e disponibiliza espaço para manifestação de Edvaldo Neto, Evilásio Cavalcanti, Prefeitura de Cabedelo e dos demais envolvidos em eventuais fatos citados nesta reportagem.

Porque, em Cabedelo, as alianças podem mudar. Mas a população tem o direito de saber quando, como e por quê.

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