“Boa parte dos parlamentares ainda reproduz práticas misóginas”, afirma Cida Gonçalves
Em João Pessoa, ex-ministra das Mulheres defende o voto feminino e destaca a candidatura de Lídia Moura como expressão da democracia e da luta por direitos.
“Ninguém quer ser visto como misógino, mas precisamos mostrar que boa parte dos parlamentares ainda reproduz práticas misóginas. Eleger mulheres comprometidas com a democracia e com as políticas sociais é fundamental.” A afirmação é da ex-ministra das Mulheres do governo Lula, Cida Gonçalves, que está em João Pessoa para participar do seminário promovido pelo Cendac sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha.
Especialista no enfrentamento à violência contra as mulheres, ela defendeu a ampliação da presença feminina no Parlamento e afirmou que o voto das mulheres será decisivo nas eleições. “Precisamos votar em mulheres para mudar a política”, reforçou Cida.
A ex-ministra destacou a candidatura de Lídia Moura a deputada federal como uma representação da democracia, da resistência e da luta pelos direitos das mulheres na Paraíba. Para Cida, Lídia reúne experiência na gestão pública, trajetória política e compromisso com os segmentos historicamente excluídos.
“Lídia representa essa candidatura pela sua trajetória e pelo seu compromisso. Mulheres que ocuparam espaços de gestão e demonstraram capacidade agora disputam o Legislativo para transformar essa experiência em leis, orçamento e políticas públicas”, afirmou.
Cida também ressaltou que candidaturas como a de Lídia são importantes para fortalecer as ações do governo do presidente Lula nas áreas sociais, na proteção das mulheres e na defesa da democracia. “É preciso eleger mulheres que apoiem e ajudem a ampliar as ações do governo Lula. As mulheres são as que mais defendem a democracia, as políticas sociais e os programas que melhoram concretamente a vida da população”, acrescentou.
Apesar dos avanços conquistados, a ex-ministra avaliou que o número de candidaturas femininas ainda está abaixo do esperado. Segundo ela, as mulheres continuam enfrentando falta de recursos, pouco tempo de campanha e ausência de garantias efetivas por parte dos partidos.
“A eleição exige orçamento, estrutura e tempo. Os partidos ainda oferecem poucas garantias às candidaturas femininas. Mesmo assim, as mulheres têm consolidado sua presença na gestão pública, no debate político e no fortalecimento de outras mulheres”, observou.
Cida Gonçalves alertou ainda para a permanência da violência política de gênero e dos discursos de ódio usados para afastar as mulheres dos espaços de decisão. “Existe uma disputa profundamente misógina e um movimento para impedir que as mulheres ocupem o poder. Mas acredito na nossa força e na nossa resistência. As mulheres estão se colocando e não vão recuar”, reforçou.
Na avaliação da ex-ministra, temas como feminicídio e violência contra as mulheres ganharam força no debate eleitoral porque passaram a influenciar diretamente a decisão das eleitoras.“As mulheres são maioria do eleitorado e têm uma pauta concreta. Quem quiser governar terá que falar sobre feminicídio, violência, igualdade, cuidado e direitos. O voto das mulheres será decisivo, e candidaturas como a de Lídia Moura mostram que estamos preparadas para ocupar o Parlamento e mudar a política”, concluiu.



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