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Trabalhadores e sindicatos debatem fim da escala 6×1 na Câmara de João Pessoa

Plenário da Câmara Municipal de João Pessoa ocupado por sindicalistas e trabalhadores durante sessão especial sobre o fim da escala 6x1.

Trabalhadores e sindicatos debatem fim da escala 6×1 na Câmara de João Pessoa

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) ampliou o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 nesta sexta-feira (24). A sessão especial foi proposta, inicialmente, pelo vereador Marcos Henriques (PT) e lotou as galerias com diversas entidades sindicais da capital. O movimento local antecipa, dessa forma, os grandes atos previstos para o Dia do Trabalhador e fortalece a pressão pela tramitação da matéria no Congresso Nacional.

Impactos na saúde mental e dupla jornada

A atual rotina dos profissionais afeta, inegavelmente, a saúde física e psicológica de forma severa. Os dados apresentados na tribuna acenderam, inclusive, um sinal de alerta para as autoridades de saúde pública. Luís Saraiva, do Centro de Referência da Saúde dos Trabalhadores, revelou que oito em cada dez atendimentos locais envolvem problemas mentais relacionados ao esgotamento. As mulheres sofrem impactos ainda maiores, por outro lado, devido aos exaustivos afazeres domésticos e aos cuidados com a família que se somam ao expediente formal.

“Falar do fim da escala 6×1 é falar de dignidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Que mulher não faz, no dia a dia, a continuidade da jornada de trabalho quando chega em casa? Temos três turnos de trabalho”, destacou, portanto, a presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado da Paraíba (Seac/PB), Ana Cristina Pereira.

Desmistificando o impacto econômico

Muitos setores patronais criticam a mudança, frequentemente, sob a justificativa de possíveis prejuízos financeiros e queda de arrecadação para as empresas. O representante da Superintendência Regional do Trabalho na Paraíba, Abílio Sérgio Correia, desmentiu essa narrativa, no entanto, com dados práticos durante a sua fala no plenário. O superintendente garantiu que o descanso adequado do funcionário promove o aumento direto da produtividade, melhora o clima organizacional e reduz o número de acidentes. A Paraíba já possui, além disso, um exemplo prático com a adoção da quinta folga no setor hoteleiro há mais de duas décadas, como ressaltou Sérgio Roberto, representante da CTB-PB.

Mobilização popular e próximos passos

As centrais sindicais prometem intensificar a luta nas ruas ao longo das próximas semanas, buscando conscientizar a sociedade civil sobre a urgência de garantir mais qualidade de vida e tempo de lazer aos empregados. Os representantes sindicais definiram, consequentemente, um calendário de ações práticas na capital:

  • Ato de Rua: O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Tião Santos, convocou a população para uma grande manifestação histórica. O evento ocorrerá, especificamente, no feriado de 1º de maio (Busto de Tamandaré), a partir das 16h.
  • Pressão Parlamentar: O vereador Marcos Henriques elaborará, por fim, um requerimento oficial da Casa de Epitácio Pessoa para cobrar uma postura publicamente favorável de toda a bancada federal paraibana.

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