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Ex-assessor de Veneziano citado pela Folha no caso dos R$ 210 milhões já foi apontado em esquema de desvios de prefeitura na PB que alcançou juiz

Ex-assessor de Veneziano citado pela Folha no caso dos R$ 210 milhões já foi apontado em esquema de desvios de prefeitura na PB que alcançou juiz

O ex-assessor Rodrigo Henriques Ribeiro Neves, citado pela Folha de S.Paulo na reportagem sobre os R$ 210 milhões destinados pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) às obras da BR-230, já havia sido apontado pela Polícia Civil como integrante do núcleo operacional financeiro de um esquema investigado por desvio e lavagem de recursos da Prefeitura de Itabaiana, na Paraíba.

A relação política entre Rodrigo e Veneziano vem de antes. Segundo apuração da reportagem, Rodrigo foi indicado por Veneziano para presidir a Juventude do PMDB de João Pessoa. Em 2013, já aparecia publicamente como presidente da ala jovem da legenda em articulações políticas com Veneziano. Pouco depois, a ligação partidária se transformou também em vínculo funcional.

Registros oficiais da Câmara mostram que Rodrigo foi secretário parlamentar de Veneziano de dezembro de 2015 a dezembro de 2016, período que coincide com parte dos fatos posteriormente investigados pela Operação Pote de Ouro.

Dos R$ 210 milhões à Pote de Ouro

A Folha de S.Paulo revelou que Veneziano destinou R$ 210 milhões no Orçamento de 2023 para a ampliação da BR-230. Os consórcios responsáveis pelas obras contrataram empresas ligadas a Rodrigo e a pessoas de seu círculo familiar e empresarial.

A Comtech teve Rodrigo como sócio administrador. A Selecta Construções pertence a seu cunhado. Outra empresa que assumiu serviços pertence a um ex-sócio de Rodrigo. Seu irmão também ocupa cargo no gabinete de Veneziano desde 2019.

Outro detalhe revelado pela Folha chama atenção: Rodrigo assinou o contrato da Comtech com o consórcio antes de ingressar formalmente na sociedade. Meses antes, a empresa ainda tinha nome e atividade vinculados à criação de camarões e peixes e depois passou a atuar na construção e sinalização de rodovias.

Mas quase uma década antes da BR-230, Rodrigo já aparecia em outra investigação envolvendo dinheiro público.

A Operação Pote de Ouro apurou contratos fraudulentos, funcionários fantasmas, cheques e lavagem de recursos da Prefeitura de Itabaiana. Rodrigo Neves e André Teixeira de Carvalho Novais Gondim foram apontados pela investigação como integrantes do núcleo responsável pela movimentação financeira do esquema.

Dois homens ouvidos pela polícia, Marcos dos Santos Alexandre e Erinaldo Andrade da Silva, disseram nunca ter trabalhado para a Prefeitura de Itabaiana, embora seus nomes aparecessem como contratados. Também negaram reconhecer as assinaturas existentes em cheques emitidos em seus nomes. Os dois conheciam Rodrigo por meio do mesmo condomínio em João Pessoa.

André Gondim também acabaria no gabinete de Veneziano. Dados oficiais da Câmara registram sua passagem como secretário parlamentar entre maio de 2017 e janeiro de 2019.

Ex-prefeito aliado de Veneziano também foi preso

No centro da investigação estava a gestão de Antônio Carlos Rodrigues de Melo Júnior, prefeito de Itabaiana entre 2013 e 2016 pelo PMDB, mesmo partido de Veneziano à época.

Antônio Carlos apoiou publicamente Veneziano para deputado federal em 2014. Naquele pleito, Veneziano foi o candidato a deputado federal mais votado em Itabaiana, com 2.767 votos.

Em dezembro de 2018, já como ex-prefeito, Antônio Carlos foi preso preventivamente na primeira fase da Operação Pote de Ouro, suspeito de participação em desvios realizados por meio de funcionários fantasmas e cheques com assinaturas falsas. Dois ex-secretários de sua administração também foram presos.

Na fase seguinte da operação, a Polícia Civil aprofundou as apurações sobre o ex-prefeito, Rodrigo e André. A polícia informou ter rastreado recursos que teriam sido desviados durante a antiga gestão municipal.

Em 2016, enquanto Rodrigo integrava o gabinete de Veneziano, documentos do Congresso também registram a Prefeitura de Itabaiana como beneficiária de R$ 500 mil em emenda do parlamentar, destinada a sistemas públicos de abastecimento de água.

Investigação chegou ao Judiciário

A Pote de Ouro avançou para além da prefeitura e dos operadores investigados.

O caso alcançou o juiz Glauco Coutinho Marques. Segundo documentos do Ministério Público revelados pelo Metrópoles, cheques relacionados aos desvios foram depositados na conta do magistrado. Em outra movimentação, R$ 6,8 mil foram depositados diretamente em sua conta em junho de 2016.

A conexão com Itabaiana era ainda mais próxima. A esposa de Glauco era secretária municipal de Saúde durante o período investigado e, segundo o MP, teria participação na organização responsável pelos desvios. O casal foi posteriormente denunciado por fatos relacionados à Pote de Ouro. Ambos negam envolvimento.

Anos depois, Glauco ganharia repercussão nacional como o “juiz dos 16 minutos”, por ter decidido outro processo apenas 16 minutos após seu protocolo. Esse episódio pertence a outra investigação, a Operação Retomada. O personagem, porém, é o mesmo magistrado que já aparecia no caso dos desvios de Itabaiana.

O elo reaparece quase dez anos depois

A cronologia acrescenta um novo capítulo à reportagem da Folha de S.Paulo.

Rodrigo Neves passou da direção da Juventude do PMDB ao gabinete de Veneziano, trabalhava para o parlamentar durante parte do período investigado em Itabaiana e depois foi apontado como integrante do núcleo financeiro da Pote de Ouro.

Outro nome apontado como operador também passou pelo gabinete. O prefeito da época, Antônio Carlos, era do PMDB, apoiou Veneziano eleitoralmente e acabou preso na operação. A investigação avançou ainda sobre a antiga secretária de Saúde e chegou a um juiz acusado pelo Ministério Público de receber valores provenientes dos desvios.

Agora, quase uma década depois, o mesmo Rodrigo reaparece na reportagem da Folha ligado a empresas subcontratadas nas obras da BR-230, para as quais Veneziano destinou R$ 210 milhões no Orçamento de 2023.

Veneziano afirmou à Folha que não escolheu empresas nem subcontratadas e que sua participação se restringiu à destinação dos recursos. Os consórcios responsáveis pelas obras também negaram interferência política nas

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