Mari: publicidade institucional levanta questionamentos sobre possível promoção pessoal de chefe de gabinete e deve ser alvo de apuração, defendem especialistas
A recorrente exposição do chefe de gabinete da Prefeitura de Mari, João Acássio (Acássio Barra), em peças de divulgação institucional da gestão municipal tem despertado questionamentos entre moradores, agentes políticos e observadores da administração pública.
Embora a prefeita constitucional do município seja Lucinha da Saúde, diversas publicações institucionais divulgadas por veículos de comunicação contratados ou que mantêm publicidade oficial da Prefeitura têm destacado, em diversas ocasiões, o chefe de gabinete João Acássio com maior evidência do que a própria gestora municipal.
A situação levanta um debate relevante: qual o interesse público que justifica o protagonismo constante de um ocupante de cargo comissionado em ações de comunicação institucional?
Publicidade institucional deve atender ao interesse público
A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deve possuir caráter educativo, informativo ou de orientação social.
O mesmo dispositivo constitucional veda expressamente a utilização da publicidade oficial para promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
Assim, especialistas em Direito Administrativo costumam destacar que a comunicação institucional não deve servir como instrumento de valorização da imagem de agentes públicos, mas sim de prestação de contas à sociedade.
Frequência das aparições chama atenção
O que vem sendo observado em Mari é a repetição de matérias e divulgações nas quais João Acássio aparece como principal personagem das ações da administração municipal.
As publicações, em muitos casos, apresentam fotografias, entrevistas e referências ao chefe de gabinete com destaque superior ao normalmente reservado a um ocupante da função administrativa.
Embora a legislação não proíba que servidores públicos participem de atos oficiais ou representem o município em determinadas agendas, a frequência e o destaque conferidos a um único agente político-administrativo podem suscitar questionamentos quanto à observância dos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
Recursos públicos exigem maior rigor
Outro ponto que merece reflexão diz respeito ao uso de recursos públicos destinados à comunicação institucional.
Caso veículos de imprensa estejam sendo remunerados com verbas públicas para divulgação institucional, espera-se que o conteúdo produzido tenha como finalidade principal informar a população sobre ações governamentais, políticas públicas e prestação de serviços.
Quando uma mesma autoridade administrativa passa a ocupar posição de protagonismo reiterado nas publicações oficiais, é natural que surjam questionamentos acerca da finalidade dessa exposição.
Cabe aos órgãos de controle avaliar
Importante destacar que não cabe à imprensa afirmar, sem decisão dos órgãos competentes, que houve irregularidade ou prática ilícita.
Entretanto, diante da repercussão e da recorrência das divulgações, entende-se que existem elementos suficientes para justificar a atuação fiscalizatória dos órgãos responsáveis.
Nesse contexto, o Ministério Público da Paraíba, o Tribunal de Contas do Estado e demais órgãos de controle possuem competência para, caso entendam pertinente, analisar:
- se a publicidade institucional observa os princípios constitucionais;
- se existe efetivo interesse público nas divulgações;
- se houve eventual desvio da finalidade da publicidade oficial;
- se os recursos destinados à comunicação institucional estão sendo empregados dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Transparência fortalece a administração pública
A transparência é um dos pilares da administração pública moderna.
Quanto maior a clareza na utilização da publicidade institucional, menor será o espaço para dúvidas por parte da população.
Caso todas as divulgações estejam plenamente adequadas à Constituição e às normas administrativas, eventual apuração dos órgãos competentes contribuirá para conferir ainda mais segurança jurídica à gestão municipal.
Da mesma forma, caso sejam identificadas inconformidades, caberá exclusivamente às instituições competentes adotar as providências previstas na legislação.
Espaço aberto
O Portal NewsPB reafirma seu compromisso com o jornalismo responsável, pautado pelo interesse público, pela fiscalização da administração pública e pelo respeito ao contraditório.
Caso a Prefeitura de Mari, a prefeita Lucinha da Saúde ou o chefe de gabinete João Acássio desejem prestar esclarecimentos sobre os critérios adotados na publicidade institucional do município, o espaço permanece integralmente aberto para manifestação, que será publicada na íntegra, em observância aos princípios do equilíbrio, da transparência e do direito de resposta.



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