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OPINIÃO – MDB da Paraíba deixa de ser referência com Zé Maranhão para ser de facção com Veneziano

OPINIÃO – MDB da Paraíba deixa de ser referência com Zé Maranhão para ser de facção com Veneziano

Veneziano Vital do Rêgo assumiu a presidência do MDB da Paraíba em abril de 2021, após a morte de José Maranhão, com a responsabilidade de conduzir o partido do “Mestre de Obras”. Cinco anos depois, a legenda chega à véspera da eleição com seu candidato ao Governo, Cícero Lucena, acumulando quatro votos contrários ao registro no Tribunal Superior Eleitoral. O processo discute benefício eleitoral decorrente da atuação de uma facção criminosa. O histórico recente também inclui investigações e processos envolvendo Dinho Dowsley, Caio Roberto e Vitor Hugo, todos filiados ao MDB.

A situação de Cícero ganhou repercussão nacional em veículos como Metrópoles e SBT News. No julgamento, o relator Ricardo Villas Bôas Cueva afirmou que o candidato “tem sido beneficiário direto da atuação da facção criminosa Nova Okaida”. Segundo a fundamentação reproduzida pelo SBT News, o grupo teria favorecido suas candidaturas nas eleições municipais de 2020 e 2024, inclusive mediante coerção de moradores.

Floriano de Azevedo Marques, Dias Toffoli e Estela Aranha acompanharam o relator, formando maioria pelo indeferimento. O julgamento permanece suspenso pelo pedido de vista de André Mendonça. São quatro votos contrários ao registro do principal nome escolhido pelo MDB para disputar o Governo da Paraíba.

No caso de Dinho Dowsley, presidente da Câmara de João Pessoa, o TRE-PB indeferiu o registro para deputado estadual em processo baseado em elementos da Operação Território Livre. O Ministério Público Eleitoral aponta uma relação entre sua estrutura político-eleitoral e integrantes de uma facção com atuação na intimidação de moradores e na restrição de campanhas adversárias.

Caio Roberto foi alvo da Operação Zona de Influência, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de setembro. A investigação apura negociações de apoio eleitoral e autorização para campanhas em comunidades controladas por um grupo criminoso. Segundo a PF, as contrapartidas investigadas incluem pagamentos, custeio de despesas de um centro comunitário e concessão de cargos e empregos públicos.

Vitor Hugo, ex-prefeito de Cabedelo, também teve o registro para deputado estadual indeferido pelo TRE-PB, em 14 de setembro, em processo sobre suspeitas de ligação com grupos criminosos. Após a rejeição de embargos, anunciou que não seguiria na disputa, embora mantivesse recurso no TSE, e passou a apoiar Hervázio Bezerra, também do MDB. Na disputa federal, retirou o apoio a Mersinho Lucena, filho de Cícero, e aderiu a Wilson Santiago.

A sucessão desses casos exige uma resposta política de quem dirige a legenda. O MDB celebrou publicamente seu crescimento sob o comando de Veneziano e a construção da candidatura de Cícero. Cabe à mesma direção explicar os critérios dessas escolhas. O Cabeludo agora tem histórias cabeludas para explicar sobre os rumos do partido que preside. Quem reivindica os méritos da expansão partidária também precisa responder pelos problemas que atingem o grupo que reuniu.

A herança de José Maranhão representa uma responsabilidade para quem assumiu o comando do partido. Preservá-la exige mais do que homenagens e referências ao passado. Exige transparência diante dos problemas do presente. Veneziano deve aos filiados e aos eleitores uma explicação sobre os rumos do MDB, suas alianças e os critérios que orientam sua condução.

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