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Produtora revela que André Esteves Vorcaro financiou mais de 90% de filme sobre Jair Bolsonaro

Produtora revela que André Esteves Vorcaro financiou mais de 90% de filme sobre Jair Bolsonaro

A produtora Karina Ferreira da Gama, dona da GoUp, afirmou em entrevista que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi responsável por mais de 90% dos recursos que viabilizaram o longa-metragem Dark Horse, obra que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo Karina, o orçamento já realizado do filme gira em torno de US$ 13 milhões (R$ 65,7 milhões), sendo que Vorcaro teria investido pouco mais de US$ 12 milhões — cerca de 92% do total. O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e pré-candidato à presidência, também confirmou a participação financeira do banqueiro.

O filme encontra-se em fase de pós-produção, com inclusão de efeitos especiais e sonorização. Apesar de ainda precisar de recursos adicionais, a produtora afirma que não há necessidade substancial para concluir o projeto.

Karina relatou que, após a prisão de Vorcaro, a equipe precisou buscar novos apoiadores para manter o andamento da produção. Ela destacou que o banqueiro atuou como intermediador de verba, e não como investidor direto. Os recursos, segundo a produtora, chegaram à GoUp por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro.

Investigações da Polícia Federal apontam, no entanto, que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, teria sido a verdadeira fonte de financiamento. Todas as cenas do longa foram gravadas no Brasil, sendo a última em 8 de dezembro de 2025, poucos dias após a primeira prisão do banqueiro.

Karina também revelou que outra empresa de sua propriedade, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para a produção da série documental Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem. O projeto, que contaria a história de figuras como José de Anchieta e Dom Pedro I, não saiu do papel após uma das emendas — destinada pela deputada Carla Zambelli (PL-SP) — ser bloqueada pelo ministro Flávio Dino, do STF, por não atender aos requisitos legais.

As emendas foram enviadas por parlamentares do PL: Marcos Pollon (R$ 1 milhão), Bia Kicis (R$ 150 mil), Alexandre Ramagem (R$ 500 mil) e Carla Zambelli (R$ 750 mil). O bloqueio inviabilizou a execução da série, que permanece suspensa.

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