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Raio-X da Operação Cítrico: Entenda como funcionava o esquema de R$ 270 milhões que afastou o prefeito eleito de Cabedelo

Raio-X da Operação Cítrico: Entenda como funcionava o esquema de R$ 270 milhões que afastou o prefeito eleito de Cabedelo

A perplexidade tomou conta do cenário político paraibano nesta semana. Como acompanhado pelo portal News PB, o prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo na última terça-feira (14), apenas 48 horas após vencer o pleito suplementar. Agora, com o aprofundamento das investigações da “Operação Cítrico“, conduzida pela Polícia Federal, Gaeco e CGU, os detalhes de como o consórcio criminoso operava vêm à tona e provocam um verdadeiro terremoto institucional.


As investigações mostraram a existência de um esquema financeiro sofisticado formado por políticos da alta cúpula municipal, empresários e integrantes da facção “Tropa do Amigão” – um braço do Comando Vermelho na Paraíba. O grupo é suspeito de movimentar cerca de R$ 270 milhões através do direcionamento e fraude em licitações da Prefeitura, com foco especial em contratos de serviços terceirizados, como o de limpeza urbana. Segundo os documentos que embasaram os 21 mandados de busca e apreensão, as empresas terceirizadas funcionavam como um verdadeiro “hub financeiro”. O fluxo permitia não apenas o desvio de verbas públicas, mas também a inserção direta de membros da facção na máquina da prefeitura e a redistribuição dos valores ilícitos para políticos locais e líderes do crime organizado, a exemplo do traficante conhecido como “Fatoka”, apontado como chefe da facção e foragido da Justiça.


Repercussão e Risco de Intervenção


O abismo institucional criado em Cabedelo – que repete o roteiro da cassação do ex-prefeito André Coutinho pelo mesmo motivo – gerou fortes reações. Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual João Gonçalves (PSB) defendeu uma ação drástica do Estado: “Cabedelo não merece isso. Assume eleição, afasta. Assume eleição, afasta. Então, no meu ponto de vista, seria uma intervenção”, sugeriu o parlamentar, apelando ao Tribunal de Justiça e ao Governo Estadual para nomearem um interventor sem ligações políticas locais. Paralelamente, no cenário nacional, o senador Efraim Filho (União Brasil) veio a público cobrar a suspensão imediata da diplomação de Edvaldo Neto. Para colocar panos quentes no aspecto eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) emitiu uma nota oficial esclarecendo que o afastamento atual foi uma determinação da Justiça Comum Criminal, e não da Justiça Eleitoral, mas pontuou que os efeitos sobre a diplomação serão analisados “em processo judicial específico, quando provocada”.


Enquanto o xadrez jurídico e político avança, a defesa de Edvaldo Neto mantém o posicionamento de que o afastamento é uma “medida de natureza provisória”. Os advogados do gestor sustentam que ele jamais manteve vínculo com facções e garantem que sua inocência ficará clara com a apuração dos fatos.

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