Vídeo em que paraibana Juliette expõe ataques a Nossa Senhora Aparecida viraliza; veja
A cantora e ex-BBB Juliette Freire viralizou nas redes sociais nesta segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida e das Crianças, ao estrear como apresentadora do documentário “A Guerra à Santa”, novo episódio da série jornalística “Revelando”. Um vídeo publicado sobre o tema acumulou 18,9 milhões de visualizações em sete horas, conforme os números divulgados.
Com 22 minutos de duração, o documentário investiga episódios de ataques à imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e questiona a relação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro com o bispo evangélico JB Carvalho, conhecido por declarações críticas à devoção católica.
A produção foi disponibilizada gratuitamente no YouTube às 9h desta segunda-feira e reúne acontecimentos históricos, declarações religiosas e episódios políticos relacionados à devoção à santa.
Documentário resgata episódios de intolerância religiosa
A investigação começa com uma provocação de Juliette: “Por que uma santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?”.
A partir da pergunta, a produção recupera a história da imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul, em 1717, e a consolidação da devoção que levou a santa a ser reconhecida como padroeira do Brasil.
O documentário também relembra o episódio de 1995 em que o bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma imagem da santa durante um programa de televisão. O caso provocou forte repercussão nacional e manifestações de católicos.
Relação de Flávio Bolsonaro com bispo entra no debate
Um dos principais pontos abordados é a relação entre Flávio Bolsonaro e o bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações. A produção recupera declarações publicadas pelo religioso no livro “A Bomba: A Verdade Pode Ser Explosiva”, de 2001, no qual ele associa a figura de Maria venerada pelos católicos a uma divindade pagã e faz referências ao satanismo.
O documentário também apresenta imagens do batismo de Flávio Bolsonaro na Comunidade das Nações, em janeiro de 2024, e questiona a escolha da igreja pelo senador diante das posições atribuídas ao religioso sobre a devoção mariana.
A reportagem contextualiza o assunto no cenário político de 2026, quando a religião e a relação de candidatos com diferentes segmentos religiosos ganharam espaço no debate público.
A produção também aborda publicações que atribuíram a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador negou essa intenção, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção das afirmações. O documentário concentra sua abordagem na relação entre o político e o bispo, além do histórico de controvérsias envolvendo a devoção católica.
Projeto para retirar título de padroeira também é lembrado
Outro episódio resgatado é a apresentação, em 2007, de um projeto pelo então deputado federal Victório Galli para retirar o reconhecimento oficial de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A proposta acabou arquivada.
Ao reunir esse caso, declarações religiosas e episódios de agressão a símbolos católicos, a produção discute os limites entre divergências de crença, liberdade religiosa e intolerância.
Juliette fala sobre convivência entre religiões
A participação de Juliette também tem um componente pessoal. A cantora contou que cresceu em uma família na qual o pai é evangélico e a mãe, católica. A experiência familiar é apresentada como contraponto à intolerância religiosa retratada no documentário.
“Senti que precisava estar aqui”, afirmou a artista ao explicar sua decisão de participar do projeto. Segundo ela, houve receio de se envolver em um tema atravessado pela polarização política, mas a defesa do respeito religioso pesou na escolha.
Além de apresentar a investigação, Juliette participa musicalmente do episódio, interpretando “Romaria”, composição de Renato Teixeira associada à devoção popular a Nossa Senhora Aparecida. A gravação conta com acompanhamento do violonista João Camarero.
Série já ultrapassou 25 milhões de visualizações
“A Guerra à Santa” é o quinto episódio de “Revelando”, série jornalística produzida pela equipe do podcast Calma Urgente, com distribuição apoiada pelo ICL Notícias, Mídia Ninja, 342 Artes e The Intercept Brasil.
Segundo os produtores, o projeto já ultrapassou 25 milhões de visualizações nas plataformas digitais. Os episódios anteriores tiveram apresentações de Samara Felippo, Fábio Porchat, Camila Pitanga e Luana Piovani, abordando temas como eugenia, relações entre instituições religiosas e financeiras, a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa de um policial acusado pela morte de uma criança e interesses relacionados à proposta de privatização de praias.
A série também já enfrentou controvérsias nas redes sociais. Após a repercussão do episódio apresentado por Fábio Porchat, o perfil do projeto no Instagram foi suspenso temporariamente e posteriormente restaurado, segundo informações divulgadas à época.
Com a participação de Juliette, “A Guerra à Santa” coloca novamente em evidência a discussão sobre intolerância religiosa e a presença de símbolos e lideranças religiosas no debate político brasileiro.



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