Ao NinjaCast, Alexandre César revela bastidores da medicina: “Você nunca vai agradar 100%”
Em um papo direto sobre os desafios da medicina, a realidade dos atendimentos e os aprendizados acumulados ao longo da carreira, o médico e professor Alexandre César foi o convidado do episódio 311 do NinjaCast. Durante a conversa, ele revisitou experiências vividas na saúde pública, falou sobre reconhecimento profissional, críticas e ressaltou a importância de preservar a própria história diante das avaliações externas.
Um dos momentos mais emblemáticos da entrevista surgiu quando Alexandre refletiu sobre uma das lições que levou da passagem pela saúde de Cabedelo. Segundo ele, a experiência serviu como uma verdadeira escola e mostrou, na prática, que dedicação, conhecimento e esforço não são suficientes para garantir a aprovação de todos.
“Você pode trabalhar dando toda a sua vontade, seu suor, sua tecnicidade, mas você nunca vai agradar 100% das pessoas”, afirmou.
Para o médico, essa constatação também ajuda a compreender como a trajetória de um profissional pode ser injustamente reduzida ao momento que ele vive no presente. Alexandre destacou que, independentemente da posição ocupada, existe uma história construída ao longo de anos de trabalho, experiências e desafios que nem sempre é conhecida por quem está de fora.
“O maior espectador da sua vida é você, não é a opinião dos outros. Ninguém sabe mais da gente do que a gente mesmo”, pontuou.
Alexandre também destacou experiências que considera fundamentais para sua formação como médico. Entre elas está o período mais crítico da pandemia de Covid-19, quando profissionais de saúde enfrentaram uma rotina marcada pelo cansaço, pela angústia e pelo contato diário com a morte.
Ele contou que trabalhou diretamente no atendimento de pacientes durante a pandemia e compartilhou episódios que, segundo ele, ajudam a dimensionar o peso daquela experiência. Alexandre relatou ter acompanhado famílias inteiras sendo atingidas pela doença e lembrou do sofrimento compartilhado com a esposa, também profissional da saúde.
“Nós trabalhamos no Covid, vimos famílias morrerem em uma semana. Dois irmãos, um pai e uma mãe. Choramos juntos, sofremos juntos”, relembrou.
A rotina, segundo Alexandre, chegou ao limite da exaustão física. Ele contou que profissionais chegavam a dormir sentados em cadeiras durante os plantões, enquanto a qualquer momento um novo paciente poderia chegar e exigir atendimento.
Para ele, essas experiências fazem parte de uma história profissional que precisa ser considerada quando se avalia um médico. Alexandre lembrou ainda da quantidade de pessoas atendidas ao longo dos anos para dimensionar o impacto de quem trabalha diariamente na linha de frente.
“Se eu atendia quase 100 pessoas por dia, durante um ano são 36 mil pessoas. Em dez anos, são quase 360 mil pessoas”, exemplificou.
A fala também foi atravessada por uma reflexão sobre ética, lealdade e a diferença entre as relações pessoais e as responsabilidades inerentes ao exercício de uma função pública. Alexandre afirmou que aprendeu, ao longo da carreira, que amizades e relações pessoais não podem se sobrepor ao compromisso assumido com a população.
Segundo ele, a experiência na gestão pública reforçou a compreensão de que ocupar uma função exige responsabilidade e independência para tomar decisões, mesmo quando elas não correspondem às expectativas de pessoas próximas.
A participação no NinjaCast colocou em evidência não apenas os desafios cotidianos enfrentados por quem atua na medicina, mas também a dimensão humana por trás da profissão: as horas de trabalho, as escolhas difíceis, o sofrimento durante a pandemia e a necessidade de lidar com críticas sem permitir que elas apaguem uma trajetória construída ao longo dos anos.
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